Segurança em obras de construção ou ampliação de subestações

programa desenvolvido com a finalidade de proporcionar condições ambientais de segurança nas subestações novas, em construção, ou nas partes ampliados das subestações existentes, para facilitar os trabalhos das equipes de operação e manutenção da companhia de eletricidade, visando a preservação da integridade física e mental dos empregados, bem como garantir às instalações e equipamentos das subestações a continuidade e qualidade operacional, no sentido de obter aumento de produtividade e proteção do patrimônio da empresa.

Sob o ponto de vista prevencionista, a causa de um acidente é qualquer fator que, se removido a tempo, possa evitar o acidente. Os acidentes não são inevitáveis, não surgem por acaso. Eles são causados e portanto possíveis de prevenção através da eliminação a tempo de suas causas. Estas podem decorrer de fatores pessoais ( atos inseguros) ambientais o materiais ( condições inseguras).

Atos inseguros – são práticas ou posturas adotadas pelo trabalhador que podem levá-lo a envolver-se em um acidente do trabalho. Os principais fatores que levam o indivíduo a praticá-lo são:

· Inadequação entre o homem a função

· Falta de conhecimento ou má formação profissional

· Resistência uso de EPI ou EPC

· Desobediência às normas de segurança

Condições inseguras – são deficiências, defeitos, irregularidades técnicas, falta de proteção em máquina ou equipamento. Em outras palavras, são falhas físicas, falta de dispositivos de segurança e outros, que põe em risco a integridade física das pessoas e a própria segurança das instalações e dos equipamentos. Os principais tipos de condições inseguras são:

· Proteção mecânica inadequada

· Condição defeituosa do equipamento

· Passagens obstruídas para pessoas ou veículos

· Iluminação insuficiente ou incorreta

· Distâncias elétricas insuficientes entre equipamentos ou entre o barramento horizontal e o solo

O ato inseguro está intimamente ligado ao trabalhador e as condições inseguras, à empregadora.

 

 

Afastamento elétrico e distância de segurança

Afastamento elétrico - é a distância mínima, de projeto, que deve ser mantida, no ar, entre as partes e energizadas de equipamentos ou entre condutores, ou entre o barramento horizontal e o solo. Esta distância mínima, é formada de dois valores: o primeiro, corresponde ao que é chamado de zona de segurança. É estabelecido em função da movimentação livre a ser feita pelo pessoal e da natureza dos trabalhos a serem efetuados, levando em conta alguns dispositivos que serão usados. Foi estabelecido, para esta zona, o valor fixo de 2,25m, que corresponde em média, a uma pessoa de 1,75m de altura, com os braços levantados. O segundo valor, foi fixado de modo a evitar o risco de arco elétrico nas condições mais desfavoráveis. É a distância mínima de isolamento, acrescida de um fator que considera a umidade nas instalações; é a distância mínima entre fase e terra ou distância a massa. Para movimentação de pessoal sob os barramentos, a altura mínima sobre o solo foi estabelecida em 3,0m. Os valores acima estão indicados no quadro abaixo, que mostra o afastamento elétrico em subestações externas:

 


 

Distância de segurança - para executar trabalhos de manutenção em subestações, as distâncias de segurança a serem observadas devem ser estabelecidas, a partir das partes energizadas, de acordo com os níveis de tensão nominal das subestações, visando delimitar um espaço físico necessário para que o eletricista possa se movimentar, inclusive manipulando equipamento ou ferramenta, de modo a não ocorrer risco de a abertura de arco elétrico em relação ao seu corpo. Esta distância de segurança (D), conforme a figura, é composta de dois valores (D1 e D2), onde A é o ponto energizado, B é a posição do eletricista e D é distância de segurança (D = D1 + D2). A distância D1 é vinculada à tensão de ruptura do equipamento, ou condutor, correspondente à distância mínima necessária para prevenção contra descarga elétrica, conforme tabela:

 

Tensão nominal (kV)

13,8

34,5

69,0

138,0

230,0

345

500

Distância D1 (m)

0,60

1,00

1,20

1,80

2,50

3,00

4,00

 

A distância D2, possui valores variáveis, e que deve ser determinada pelo eletricista, encarregado ou supervisor, em função do tipo de serviço que ele irá executar, levando em conta a manipulação de equipamentos ou ferramentas, de modo não invadiu o espaço delimitado por D1. O importante é saber que a distância D1 é considerada área contaminada, não podendo ser invadida pelo corpo do eletricista e/ou extensão deste, através da manipulação de equipamentos ou ferramentas ou materiais que não tenham a devida suportabilidade de isolamento à tensão naquele ponto. Vale salientar, que nas recepções de segurança das obras de ampliação e construção de subestações, a comissão de recepção constituída para este trabalho, leva em consideração os valores constantes da tabela de afastamento elétricos. As distâncias de segurança para trabalhos de manutenção, são definidas por ocasião da execução de cada trabalho específico. É importante observar que se não fosse contempladas estas distâncias, o circuito em questão deverá ser desenergizado e o equipamento ou barramento deverá ser aterrado, antes de qualquer intervenção pelas equipes de manutenção.

 

 

Procedimento com equipamentos energizados

Verificar a ausência de tensão utilizando detectores de tensão

Fazer o aterramento temporário do equipamento

 

 

Responsabilidade civil e criminal

Sob o ponto de vista prevencionista, uma subestação cujos equipamentos foram inteligentemente dispostos no pátio, favorecendo os trabalhos seguros dos operadores e das equipes de manutenção, constitui uma prevenção ativa. Já a prevenção passiva decorre de instalações existentes com riscos potenciais de acidentes. Se não forem tomadas medidas corretivas, estaremos sendo omissos, convivendo com as referidas anomalias até a ocorrência do fato jurídico, isto é, o acidente do trabalho. Neste ponto, surge o direito brasileiro, impondo às leis do direito civil e criminal através das atitudes e comportamentos. A cobrança da responsabilidade civil ou criminal, infelizmente, é também, uma forma de fazer prevenção.

Responsabilidade civil – dano à propriedade ou patrimônio de alguém, gerando obrigação de ressarcimento que pode ser transferido à empresa ( código civil Art. 159). A obrigação de ressarcimento ocorre devido à: um fator ilícito; um prejuízo ou dano a outrem; um nexo de causalidade entre os dois elementos anteriores do dolo ou culpa. Pelo artigo 159, a responsabilidade civil da empresa fica caracterizada se houver as seguintes condições:

Descumprimento da legislação de segurança e medicina do trabalho

Desobediência às normas regulamentadora e do Ministério do Trabalho e Ação Social

Condições ambientais inseguras

Responsabilidade penal – o agente infringe uma norma de direito público, o interesse lesado é a sociedade. A responsabilidade penal é individual e não pode ser transferida.

Crime doloso - o agente quis o resultado e assumiu o risco de produzi-lo. Pelo código penal, a pena pode ir até trinta anos de prisão.

Crime culposo – o agente não quis o resultado. O agente é resultado de imprudência, negligência ou imperícia. Pelo código penal, a pena poderá variar de um a três anos de prisão, podendo ser acrescida de um terço se for provado que foi imperícia.

Checklist – é um levantamento de todas as necessidades de segurança da empresa na forma de uma ficha composta por uma série de perguntas.

 

Desenvolvimento dos trabalhos de recepção de segurança nas obras e construção de subestações

Todo o processo se desenvolve conforme mostra a figura:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não consta do referido fluxograma, a fase inicial de análise de projeto onde são verificados, também, os aspectos de segurança, tais como acesso para veículos de manutenção, layout seguro dos equipamentos, distâncias de segurança, locação dos extintores de incêndio, etc.

 

 

Principais aspectos verificados na recepção

Sala de comando - são observados o layout dos painéis de comando e mesas do operador, a visualização satisfatória do pátio de equipamentos, a iluminação e ventilação.

Sala de baterias - são verificados os aspectos de exaustão natural ou forçada, posicionamento dos interruptores de luz, lâmpada à prova de explosão, posicionamento do retificar de corrente, pia de limpeza de equipamentos, sinalizações de segurança, extintor de incêndio, facilidade de manutenção das baterias, iluminação, etc.

Sala de comunicação - são observados a iluminação, ventilação, fiação aérea ou em canaletas para o deslocamento seguro de pessoa, etc.

Cantina - observa-se o posicionamento do botijão de gás, ventilação, o estado das tomadas de interruptores, existência de água potável e refrigerador, etc.

EPIs e EPCs - os equipamentos de proteção individual e coletivos são cuidadosamente verificados quanto a seu acondicionamento, estado de conservação e condições de uso. Nesse sentido, são verificados os seguintes equipamentos: vara de manobras; luvas isolantes e de proteção das luvas isolantes; capacetes de segurança; detetor de alta tensão; cones e cordas de sinalização; escadas de madeira e cordas; capaz de PVC; cartões de sinalização; óculos de segurança, luvas e avental para manutenção de baterias.

 

Áreas de 13,8k e 34,5kV – É verificado seu posicionamento e a distância do operador para operar com varas de manobras são seguras. Localização do comando eletrônico dos bancos de capacitores. São importantes, as verificações das alturas mínimas de segurança dos equipamentos do pátio e barramentos horizontais conforme a tabela de afastamentos elétricos. São verificados, ainda, se a proteção contra subidas de animais nas buchas dois equipamentos, os acessos para veículos de manutenção aos equipamentos, identificação de circuitos e chaves, existência de extintores de incêndio, tomadas de CA/CC, iluminação adequada e serviço auxiliar alternativo (da RD ou tensão superior).

 

Áreas de 69kV, 138kV e 230kV - Nesses pátios são verificados o estado e a existência de: chapas multi-grip nos comandos das chaves, tomadas de força 127/220V, paredes corta-fogo, sistemas de contenção e drenagem de óleo, conectores fixos de aterramento nos para-raio das saídas de LTs e chaves seccionadoras, carreta de extintor de incêndio, iluminação para leituras e manobras satisfatórias, distâncias de segurança entre chave seccionadoras abertas e entre estruturas, tomadas CA/CC, etc.

 

Outros ítens - Além dos itens anteriores são verificados ainda:

Aterramento de portões e cercas e seus estados de conservação;

Sinalização de advertência nas cercas e portões;

Estado das tampas das canaletas;

Iluminação externa satisfatória;

Conservação da brita e da grama;

Existência de torneiras sob os barramentos;

Torre de VHF sinalizada e protegida;

Escada tipo marinheiro nos superpostes;

Existência ou não de casas de abelhas ou vespas;

Piso e forro das edificações de material incombustível;

Armário de medicamentos de primeiros socorros;

Acessos à subestação;

Materiais indevidos depositados na SE.