Acidentes por animais peçonhentos
Entre os animais peçonhentos, os mais freqüentes no Brasil são as serpentes, escorpiões e aranhas. Os acidentes causados por esses animais são muito comum nos campos e matas. O grau de envenenamento depende da espécie do animal inoculador, quantidade de peçonha injetada e local da picada.
Cobra - os gêneros de cobra que causam mais acidentes são: Bothrops (Jararaca), Crotalus Lachesis (Cascavel), Etapidal (Surucucu) e Elapidae (Coral). Cerca de 90% dos acidentes no Brasil são causados pela Jararaca. Em segundo lugar está a cascavel. O veneno atua no sistema nervoso e circulatório, rins e sangue.
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Grupo |
Botrópico |
Crotálico |
Elapídico |
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Local da picada |
Picada dolorosa, vermelhidão, inchaço e calor no local, podendo surgir bolhas. A dor é de aumento progressivo. |
Picada dolorosa. Geralmente não deixa sinais no local da picada. A dor pode persistir, porém não é intensa. |
Picada pouco dolorosa, que desaparece rapidamente. O local da picada fica com sensação de adormecimento que pode se espalhar pelo tronco. |
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Face |
Sem alteração na face. |
Face depressiva, ocorrendo a paralisia da musculatura dos olhos, que causam perturbações visuais (imagens duplas, turvamento). |
Dificuldade de deglutição e de articulação das palavras. Salivação grossa, face deprimida. |
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Músculos |
Sem alteração. |
Paralisia dos membros e pescoço. |
Sem alteração. |
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Sangue |
Hemocoagulação, hemorragias pelo nariz, boca e vias urinárias. |
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Urina |
Urina avermelhada, com diminuição, às vezes intensa, do volume urinário. |
Urina vermelha, indicando perda de sangue, volume urinário normal. |
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Venenosa |
Não venenosa |
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Cabeça |
Achatada e triangular. As escamas da cabeça iguais à do corpo. |
Estreita e arredondada, com presença de placas ao invés de escamas. |
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Olhos |
Pequenos, com pupilas em fenda vertical (adaptada para a noite). |
Grandes, com pupila redonda (adaptada para o dia). |
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Fosseta lacrimal |
Presença de fosseta lacrimal entre o olho e a narina. |
Ausência de fosseta lacrimal. |
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Cauda |
Curta, bem destacada do corpo e que afina bruscamente. |
Longa, afinando gradativamente, de modo que quase não há distinção entre cauda e corpo. |
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Escamas |
Irregulares. Ásperas ao tato. |
Simétricas. Lisas e escorregadias. |
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Dentes |
Presença de duas presas no maxilar superior. |
Dentes pequenos e praticamente iguais uns aos outros. |
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Mordedura |
Presença de uma ou duas marcas mais profundas, deixadas pelas presas. |
Presença de pequenos orifícios, mais ou menos iguais. |
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Atitude |
Quando perseguida, toma atitude de ataque. Enrodilha o corpo e deixa a cabeça movendo-se para o alto, para dar o bote. |
Quando perseguida, foge. |
Para a identificação da serpente, sempre que possível, deve-se capturar o animal para exame. A diferença entre uma serpente venenosa e não venenosa pode ser percebida pelas características morfológicas do ofídio, pelos sintomas e pela mordedura. Se o local da picada tiver dois pontos, trata-se de cobra venenosa, se for uma fileira de pontos, trata-se de uma cobra não venenosa. O tratamento do indivíduo picado deve ser precoce devido a rápida absorção do veneno. A neutralização do veneno é feita por soros específicos. Se o paciente for atendido logo após a picada, deve-se tomar as seguintes providências:
· Após a picada, manter o paciente em repouso, evitando que ande ou corra.
· Elevar o membro afetado.
· Fazer várias perfurações em torno da região, com agulha esterilizada. Provocar o sangramento no local da picada.
· Fazer sucção bucal ou por meio de ventosa no local.
· Aplicar compressas frias ou gelo no local do ferimento.
· Não dar qualquer bebida alcóolica para o paciente.
· Levar o acidentado e a cobra (viva ou morta, se possível) imediatamente ao posto médico mais próximo
· Prevenções dos acidentes ofídicos:
· Não andar descalço nas matas, usar botas. 60% dos acidentes ofídicos são produzidos por picadas nos pés ou pernas.
· Evitar introduzir as mãos e os pés em locais possíveis de serem habitados por serpentes (tocas no solo, pedras acumuladas).
· Não acumular em torno da casa objetos e detritos.
· Evitar o manuseio de serpentes vivas ou mesmo mortas, pois estas conservam algum veneno em sua presa.
· Atenção ao subir em árvores.
· Usar luvas para limpeza e campina de terrenos.
· Evitar acampar próximo a plantações, matas, pastos...
Escorpião - causam mortes sobretudo em crianças. Os escorpiões são aracnídeos encontrados em grande quantidade em Minas Gerais. Existem duas espécies principais: Tityus serrulatus e Tityus bahiensis. O acidente causado pelo primeiro é responsável por 98% dos casos fatais. A toxidade do veneno varia com o tamanho, idade e estado de nutrição do animal, com a quantidade de veneno inoculada, o peso e resistência da vítima. Os efeitos do veneno localizam-se principalmente no sistema nervoso, produzindo mal-estar, dores de cabeça, fraqueza muscular, vertigens, delírio, torpor e coma, que antecedem a morte. Possuem também ação sobre os aparelhos digestivo e circulatório, causando dor intensa e persistente. O tratamento é feito através de soro antiescorpiônico específico.
Aranha - as aranhas podem causar picadas muito dolorosa, chegando a provocar necrose dos tecidos atingidos e até mesmo a morte. As espécies mais venenosas comum no Brasil são: Caranguejeira, armadeira, aranha marrom, tarântula e a viúva-negra. A ação dos venenos de cada uma dessa aranhas tem características diferentes. Os casos benignos causam apenas discreta dor no local da picada, esquimose e necrose dos tecidos superficiais. Nos envenenamentos moderados, podem surgir fortes dores locais, náuseas, vômitos e hiportemia. Casos graves são acompanhados por distúrbios de coagulação sangüínea, diminuição da pressão arterial e choque. Os primeiros socorros, podem ser aplicados nos primeiros trinta minutos. O tratamento consiste na administração do soro específico, caso seja conhecida a espécie.